O “aperichat” na época do coronavírus

O “aperichat” na época do coronavírus

Nestes tempos difíceis, quando ficar em casa é obrigatório, na Itália, onde nasceu o aperitivo, surgiu o dilema de como tomar uma garrafa de bom vinho com os amigos.

A grande inventividade dos italianos, famosa em todo o mundo, também tem sido útil em um período de emergência sanitária através a criação do “aperichat”.

Mesmo não podendo sair de casa, basta uma garrafa de vinho (tinto, branco, rosé ou espumante), um telefone celular ou um PC, para fazer uma chamada de vídeo.

Não faltam plataformas multimídia, do Whatsapp ao Facebook, do Skype ao Zoom, e mesmo que beijos e abraços, proibidos nesse período, estejam faltando, com essas soluções tecnológicas, e depois de algumas taças, você parecerá estar no seu lugar favorito com seus amigos, parentes ou colegas.

Nós da Paraju Vinhos, que temos uma alma italiana, reservamos para você três esplêndidos vinhos, com descontos super especiais, que podemos entregar diretamente na sua casa para seus “aperichats”: Grillo Parlante, da vinícola Fondo Antico, um vinho siciliano da uva nativa Grillo, aromático, fresco, frutado e elegante, de R$ 185,00 por R$ 90,00; Tardòc, um Barbera d’Alba da vinícola Villadoria del Piemonte, fino, delicado e rico em aromas e sabores típicos da região de Langhe, de R$ 120,00 por R$ 60,00; e por último, mas não menos importante, o Maremmante di Poggiargentiera, um vinho toscano de Maremma, feito com uvas Cabernet Franc e Syrah, estruturado, complexo e totalmente orgânico, de R$ 160,00 por R$ 80,00.

Agora que você tem todas as informações necessárias, e os melhores vinhos, só falta experimentar uma nova maneira de socializar sem perder os bons hábitos italianos…..

 

Salute!

 

Alessandro Moretti.

Barris e barriques híbridos

Barris e barriques híbridos

Como sabemos, a influência que a madeira exerce sobre um vinho ou destilado é imensa, mas o uso de barris de carvalho 100% francês pode ser proibitivo em termos de custos. Por este motivo, várias vinícolas do mundo estão adotando uma nova técnica que talvez possa representar uma nova era para os vinhos evoluídos.

No início dos anos 90, as vinícolas, principalmente nos Estados Unidos, começaram a pensar em como usar o carvalho francês sem ter que gastar US$ 900 num barril. Empresas de fabricação de barris como a Nadalié tonnellerie, que abriu a primeira tonnellerie francesa nos EUA, começaram a produzir barris cujos corpos eram feitos de tábuas de carvalho americano e os tampos de carvalho francês.

A vinícola Von Stiehl, em Wisconsin, foi umas das primeiras a usar estes barris híbridos para obter um interessante resultado, tanto econômico quanto organoléptico. E ainda hoje, os usa para amadurecer todos os vinhos tintos que produz, com excelentes resultados.

Desde 2002, querendo criar um novo estilo de Rioja Crianza, María Barúa, da Bodegas LAN, percorreu o mesmo caminho, e hoje abriga nas suas adegas cerca de 20.000 barris, sendo 60% feitos com a combinação de diferentes madeiras. Bodegas LAN foi a pioneira, e abriu o caminho para o uso dos barris híbridos na Espanha.

Já na Itália, o uso dos barris híbridos começou apenas há pouco tempo, principalmente em vinícolas cujos enólogos têm experiência internacional, ou são mais jovens e abertos a novos conceitos.

A vinícola Baglio Oro, na Sicília, por exemplo, nossa parceira desde 2018, utiliza barris de 500 litros feitos com carvalho francês e cerejeira italiana, para envelhecer todos os vinhos tintos do seu portfólio, exceto os da linha de entrada “Dei Respiri”. O resultado proporciona vinhos com características inusitadas em relação ao padrão da produção enológica da Sicília. A melhor expressão decorrente desta novidade é representada pelo Nero d’Avola Guardiani di Ceppineri, que passa 1 ano em carvalho híbrido. Graças ao carvalho francês, apresenta aromas com notas muito mais adocicadas de hortelã e folha de tomate do que as amargas de grafite, que são comuns e típicas de todos os vinhos da uva Nero d’Avola. E na boca, a madeira de cerejeira deixa que o vinho mostre toda a evolução da fruta vermelha que o acompanha, conferindo um ótimo frescor.

Também o famoso enólogo italiano Luca d’Attoma, da vinícola Tolaini na Toscana, outra nossa grande parceira, junto com um toneleiro local, está desenvolvendo um novo projeto para o vinho Al Passo, usando barris de 500 litros feitos inteiramente com carvalho toscano da região de Chianti. Este é um sinal de que, num país tão tradicional como a Itália, está começando a surgir um novo caminho na produção e no uso de barris.

Apesar dos dados fornecidos pelos fabricantes de barris mostrarem que o principal incentivo que leva os produtores de vinho a usar os híbridos ainda é o aspecto econômico, e que as vendas permaneceram estáticas e representam menos de 5% do mercado, vale a pena analisar como num mundo em que eco-sustentabilidade é a palavra-chave para preservar o ambiente em que vivemos, a indústria do vinho deve tentar se adaptar a uma nova era. Depois das rolhas, talvez os barris possam mudar mais uma vez o cenário da enologia mundial.

Salute!

Alessandro Moretti

Paraju na Isto é Dinheiro

E o vinagre virou vinho

Impedido de vender no Brasil o melhor aceto balsâmico, empresário decide importar espumantes, brancos e tintos de alta qualidade. Só da Itália

Paraju é sinônimo de Maçaranduba, madeira resistente a pragas e à ação do tempo. É também um distrito do de Domingos Martins, no Espírito Santo. O empresário paulista Paulo Nogueira Júnior não sabia de nada disso quando escolheu Paraju, três sílabas fazem parte de seu nome, para batizar uma importadora de vinhos que se dedica exclusivamente a rótulos italianos de alta gama. Além do nome incomum para o negócio em que atua, a importadora tem uma origem peculiar. Ela não nasceu em função do vinho.

Achado: Paulo Nogueira Jr. e o Arcaica, um de seus rótulos exclusivos: só 17 vinícolas

O dono exportava álcool para uso industrial e farmacêutico para a Europa quando decidiu trazer para o Brasil a versão mais sofisticada do aceto balsâmico da Reggio Emilia. O condimento precisa ser envelhecido por no mínimo 10 anos para receber certificação — e seu uso gastronômico se dá em pequenas gotas. “Embora eu tenha laudos de laboratórios no Brasil que analisaram e aprovaram os produtos, não consegui liberá-los para venda no mercado nacional”, diz Nogueira, com indisfarçável frustração.

LARANJA Contrariando os princípios da química, ele transformou o vinagre em vinho. Ou melhor, em grandes vinhos de pequenos produtores. “Comecei trazendo espumantes e fui conhecendo vinícolas. É uma atividade bastante prazerosa”, garante. Apenas dois restaurantes de São Paulo oferecem seus rótulos: o luxuoso Tangará e a Osteria del Pettirosso. O portfólio da Paraju, ainda em formação, se destaca pela excelência das escolhas, feitas com a curadoria do bolonhês Alessandro Moretti , da Associazione Italiana Sommelier e que foi responsável da adega do Eataly São Paulo antes de assumir o cargo de especialista em vinhos da Paraju.

Riserva: Chianti sem conservantes envelhece por 30 meses em madeira

Entre os achados da dupla estão preciosidades como o Arcaica (R$ 367,47), um impressionante vinho laranja natural, elaborado por Paolo Francesconi na Emilia Romagna. Ou o ainda mais surpreendente Chanti Classico DOCG Riserva, orgânico da vinícola toscana Quercia Al Poggio, que redefiniu o Chianti ao adotar as normas da agricultura natural em seus vinhedos da variedade Sangiovese. O Riserva fica 30 meses em barricas de carvalho de 500 litros e meio ano maturando na garrafa. O preço para o consumidor final é R$ 463,38. Caro? “Buscamos alta qualidade a preço justo, mas não vinhos baratos”, diz Moretti.

Com 80 rótulos, de 17 produtores, a empresa se orgulha de ostentar vinhos merecedores dos cobiçados “3 bicchieri” – a cotação máxima do guia italiano Gambero Rosso. Por dar atenção especial aos orgânicos, biodionâmicos e naturais, nos quais o uso do conservante dióxido de enxofre é quase nulo, Nogueira Jr. e Moretti sabem que têm nas mãos produtos delicados, que exigem cuidados especiais no transporte e armazenamento. Para garantir a longevidade dos vinhos que importa (ainda que os naturais sejam menos de 10% do total), a Paraju é das poucas no País a manter seu estoque em um depósito refrigerado. Uma garantia para que não se tornem vinagre antes do tempo.

Conteúdo original em https://www.istoedinheiro.com.br/e-o-vinagre-virou-vinho/

As cores do vinho

As cores do vinho

A cor de um vinho é certamente o primeiro aspecto que salta aos olhos do consumidor quando uma garrafa é aberta. Esta é uma avaliação importante, pois fornece indicações preliminares sobre o status e a qualidade do vinho, que podem ser confirmadas ou não pela análise olfativa e gustativa subseqüente.Além disso, o ambiente climático, a estrutura físicado solo, a área de produção, o tipo de uva, o tipo de processamento da própria uva, sua acidez, estado de oxidação, idade do vinho e muitos outros fatores influenciam a intensidade, vivacidade e tom da bebida. A partir da cor, já podemos imaginar as principais características do nosso vinho.

A cor do vinho é geralmente classificada em três categorias principais: branco, rosé e tinto. É uma divisão bem conhecida, mas muitas vezes redutora, porque as nuances que nossa bebida favorita pode levar são muitas e significativas. Pode ser definido um vinho branco / amarelo, dependendo da cor: amarelo – esverdeado, amarelo palha, amarelo dourado e amarelo âmbar. O rosé: macio, cereja ou clarete. Tinto: roxo, rubi, granada ou laranja. A partir dessas cores, podemos extrair pelo menos três indicações importantes: período de colheita, maturação e características da uva, técnicas e métodos de vinificação.

As cores do branco:

Amarelo – esverdeado

Este tom de vinho branco pode ser descrito como um amarelo muito claro com reflexos verdes, semelhante ao suco que produz um limão que ainda não está muito maduro. É típico de vinhos jovens e leves, mal estruturados, ácidos, com uvas colhidas antes dos padrões usuais e não totalmente maduras.

 

Amarelo palha

Este tom de vinho branco é comparado aos reflexos amarelos da palha. É típico de vinhos produzidos a partir de uvas colhidas no auge de sua maturação, de vinhos com boa estrutura e frescura moderada, refinados e envelhecidos em pequenos barris e aos quais tempos, atenção e cuidado foram dedicados em todas as fases de produção.

 

Amarelo Dourado

Essa tonalidade de vinho branco lembra a cor de ouro amarelo dos anéis de casamento e é encontrada em vinhos suaves produzidos a partir de uvas colhidas em um estado de maturação excessiva, em vinhos brancos bastante estruturados, geralmente envelhecidos por muito tempo em barris de madeira.

 

Amarelo âmbar

Tonalidade que lembra a cor de minerais como topázio e âmbar e normalmente encontrada em vinhos doces ou licorosos, que, portanto, passaram por todos os processos especiais para a produção desse tipo de vinho. Atenção, se você se deparar com um vinho que não seja passito ou licor desta cor, é um mau sinal: é um vinho excessivamente oxidado ou com defeito.

 

As cores do Rosé:

Rosa tênue

Tonalidade de vinho rosé semelhante à cor das pétalas da flor homônima. É típico de vinhos rosés jovens, frescos, elegantes e pouco estruturados, obtidos com uma vinificação que requer apenas um contato mínimo entre o mosto e a casca da uva, além de uma rápida maceração.

 

Rosa cereja

Tom de cor mais poderoso do que Rosa Tênue, que podemos comparar com o de suco de cereja. É a tonalidade mais comum do rosé, obtida com uma maceração mais longa que as anteriores e com uvas que atingiram o grau certo de maturação.

 

Rosa clarete

Tonalidade complexa para descrever e reconhecer, porque fica a meio caminho entre os vinhos rosés e os tintos. É frequentemente chamado de tom “rubi claro ou fraco”, típico de vinhos com mostos que passam muito tempo em contato com as peles e, portanto, assumem uma cor escura. Normalmente, após o primeiro ano de vida, a cor desses vinhos assume nuances alaranjadas marcadas.

 

As cores do tinto:

Roxo vermelho

É um tom de cor que caracteriza os vinhos tintos muito jovens, frescos e leves, com estrutura e corpo deficientes. A cor lembra a das roupas cardinaladas.

 

Vermelho rubi

Tom de vinho tinto que se refere aos tons violetas da pedra com o mesmo nome e não tanto à cor característica da própria pedra que, como vimos se aproxima do rosa clarete. É típico de vinhos tintos em excelente estado de saúde e bem preservados, de corpo médio e com uvas colhidas durante o período ideal de amadurecimento. Entre os tintos, é o tom mais comum.

 

Vermelho Granado

Tom de vinhos tintos maduros, encorpados e estruturados, sujeitos ao envelhecimento em barris de médio e longo prazo. É uma cor muito semelhante à das sementes de romã.

 

Vermelho alaranjado

É a cor dos grandes vinhos tintos, de grande caráter e estrutura, deixados envelhecerem por um longo tempo. A escolha do nome dessa tonalidade ainda é objeto de discussão, porque para muitos é marrom com reflexos alaranjados, enquanto para outros é apenas a cor de um tijolo escuro ou levemente sujo.Como vocês podem imaginar, reconhecer a cor de um vinho é uma operação bastante complicada, porque as nuances e diferenças entre as várias cores são realmente mínimas, portanto, requer uma grande capacidade visual e muita experiência.

 

Como talvez alguém reparou, deixei de falar sobre uma cor de vinho que hoje está muito de moda, estou falando dos “laranjas”. Estes vinhos são muito peculiares e vou dedicar um Blog específico para ajudar a entender-los melhor.

 

Salute!

 

Alessandro Moretti.

O decanter

O decanter

O decanter é uma ferramenta de serviço de vinhos que não é incomum encontrar nas mesas de enófilos. É um termo em inglês que indica uma espécie de “jarra” ou “ampola” em vidro ou cristal usado para decantar e oxigenar o vinho, ou favorecer a sua evolução e permitir a expressão máxima do seu buquê de perfumes. Vamos descobrir tudo sobre esta importante ferramenta: por que é útil, como usá-la e em que ocasiões.

Por que usar o Decanter?

O decanter é o instrumento ideal para uma perfeita oxigenação do vinho e para permitir que os seus perfumes se expressem da melhor forma possível. Além disso, a sua forma particular, com uma base bastante larga e bastante plana, garante uma ampla superfície de contato entre oxigênio e vinho e, graças à notável volatilidade do álcool, permite que seus perfumes se libertem mais rapidamente e da melhor maneira possível enquanto a parte final, com um pescoço estreito e alongado, evita uma rápida dispersão dos perfumes. Em outras palavras, o decanter aprimora os aromas e as características organolépticas de um vinho mas também é usado para separar os sedimentos do vinho, os sommelier usam uma pequena vela ou um isqueiro colocado entre a garrafa e o decanter e começam a derramar o vinho muito lentamente, a luz da chama possibilita a identificação dos resíduos e evita a decantação na ampola. Esta operação é realizada com vinhos muito evoluídos e não com vinhos jovens que não puderam desenvolver partes sólidas.

Quando usar o Decanter?

O decanter não deve ser usado sempre e em qualquer caso, mas apenas em determinadas situações e com certos vinhos. Muitas vezes, seu charme e elegância levam a um uso inadequado ou apenas para fins estéticos e cênicos, como um elemento capaz de embelezar e dar brilho à mesa. No caso dos brancos, só deve ser utilizado para vinhos não muito jovens, complexos, com aromas variados e resíduos sólidos visíveis no fundo ou nas paredes da garrafa. Nem é necessário usá-lo com vinhos tintos jovens, enquanto é recomendado com vinhos tintos evoluídos.

Como usar o Decanter?

O decanter deve ser usado com cuidado e delicadeza. O processo pelo qual o vinho é transferido requer atenção máxima, antes de tudo, é aconselhável manter a garrafa que você pretende consumir na vertical por pelo menos 24 horas antes da decantação. Isso permite que os sedimentos que se formaram se depositem no fundo da garrafa. Coloque o gargalo da garrafa na boca do decanter e incline-o levemente. Nesse ponto, despeje delicadamente o conteúdo, evitando solavancos bruscos, use um isqueiro ou a chama de uma vela para acender a garrafa e reconhecer a chegada de resíduos sólidos: este é o momento certo para parar o versamento.

Agora que vocês sabem tudo sobre esta ferramenta, recomendo usá-lo e manuseá-lo com cuidado….

 

Salute!

 

Alessandro Moretti