Barris e barriques híbridos

Como sabemos, a influência que a madeira exerce sobre um vinho ou destilado é imensa, mas o uso de barris de carvalho 100% francês pode ser proibitivo em termos de custos. Por este motivo, várias vinícolas do mundo estão adotando uma nova técnica que talvez possa representar uma nova era para os vinhos evoluídos.

No início dos anos 90, as vinícolas, principalmente nos Estados Unidos, começaram a pensar em como usar o carvalho francês sem ter que gastar US$ 900 num barril. Empresas de fabricação de barris como a Nadalié tonnellerie, que abriu a primeira tonnellerie francesa nos EUA, começaram a produzir barris cujos corpos eram feitos de tábuas de carvalho americano e os tampos de carvalho francês.

A vinícola Von Stiehl, em Wisconsin, foi umas das primeiras a usar estes barris híbridos para obter um interessante resultado, tanto econômico quanto organoléptico. E ainda hoje, os usa para amadurecer todos os vinhos tintos que produz, com excelentes resultados.

Desde 2002, querendo criar um novo estilo de Rioja Crianza, María Barúa, da Bodegas LAN, percorreu o mesmo caminho, e hoje abriga nas suas adegas cerca de 20.000 barris, sendo 60% feitos com a combinação de diferentes madeiras. Bodegas LAN foi a pioneira, e abriu o caminho para o uso dos barris híbridos na Espanha.

Já na Itália, o uso dos barris híbridos começou apenas há pouco tempo, principalmente em vinícolas cujos enólogos têm experiência internacional, ou são mais jovens e abertos a novos conceitos.

A vinícola Baglio Oro, na Sicília, por exemplo, nossa parceira desde 2018, utiliza barris de 500 litros feitos com carvalho francês e cerejeira italiana, para envelhecer todos os vinhos tintos do seu portfólio, exceto os da linha de entrada “Dei Respiri”. O resultado proporciona vinhos com características inusitadas em relação ao padrão da produção enológica da Sicília. A melhor expressão decorrente desta novidade é representada pelo Nero d’Avola Guardiani di Ceppineri, que passa 1 ano em carvalho híbrido. Graças ao carvalho francês, apresenta aromas com notas muito mais adocicadas de hortelã e folha de tomate do que as amargas de grafite, que são comuns e típicas de todos os vinhos da uva Nero d’Avola. E na boca, a madeira de cerejeira deixa que o vinho mostre toda a evolução da fruta vermelha que o acompanha, conferindo um ótimo frescor.

Também o famoso enólogo italiano Luca d’Attoma, da vinícola Tolaini na Toscana, outra nossa grande parceira, junto com um toneleiro local, está desenvolvendo um novo projeto para o vinho Al Passo, usando barris de 500 litros feitos inteiramente com carvalho toscano da região de Chianti. Este é um sinal de que, num país tão tradicional como a Itália, está começando a surgir um novo caminho na produção e no uso de barris.

Apesar dos dados fornecidos pelos fabricantes de barris mostrarem que o principal incentivo que leva os produtores de vinho a usar os híbridos ainda é o aspecto econômico, e que as vendas permaneceram estáticas e representam menos de 5% do mercado, vale a pena analisar como num mundo em que eco-sustentabilidade é a palavra-chave para preservar o ambiente em que vivemos, a indústria do vinho deve tentar se adaptar a uma nova era. Depois das rolhas, talvez os barris possam mudar mais uma vez o cenário da enologia mundial.

Salute!

Alessandro Moretti

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