‘Prosecco’ x Cava: o espumante italiano ganha terreno

O grande inimigo do cava catalão não está na Espanha, está no exterior. Mas o setor esteve tão preocupado com o boicote às marcas da Catalunha e com a expansão dos cavas valencianos ou de Extremadura, que se descuidou frente à verdadeira ameaça que surgiu da região de Veneto com o já famoso prosecco. O avanço do espumante italiano tem sido notado especialmente nas vendas externas. Até o primeiro semestre deste ano, a tendência nas exportações era de baixa. As quedas foram fortes no mercado britânico, o segundo do cava, onde as vendas caíram 17% em 2013, de 36 para 30 milhões de garrafas. Também na Bélgica, o terceiro comprador, onde passaram de 27 para 25 milhões de garrafas.

Não que o culpado de tudo seja o prosecco, mas como reconhecem na área de Penedés, o epicentro da produção de cava, ele tem muito a ver com isso. Embora o setor de cava insista que o espumante italiano é outra coisa (não é elaborado pelo método tradicional champenoise, com segunda fermentação na garrafa, mas pelo Charmat, no tanque), não parece que essa diferença esteja preocupando os consumidores. Enquanto as vendas de cava (e até do champanhe) diminuíram no primeiro semestre do ano no Reino Unido, as vendas de prosecco dispararam 40% no mesmo período. O mercado britânico é fundamental porque, como explica Guillem Grael, diretor de marketing Codorniu: “é a origem da expansão do espumante italiano, que depois passou a outros países.” Nos EUA, a tendência é semelhante. No total, de acordo com Corriere Vinicolo, a publicação do setor do vinho na Itália, as exportações de prosecco cresceram 30% em 2013. Já são exportadas ao redor de 210 milhões de garrafas, enquanto o cava exporta 160 milhões.

O progresso do vinho italiano, praticamente desconhecido há 10 anos, foi de tal magnitude que em algumas classificações aparecem mais marcas de vinho veneziano que catalão. Em uma lista de espumantes que custam menos de 32 euros feita por Gayot.com aparecem quatro proseccos e três cavas. E na de Food and Wine há dois proseccos e um cava. A seu favor está o fato de que é um vinho fácil de beber, leve e sabores de fruta. Agora entrou na moda em muitos países, especialmente nos anglo-saxões, onde cada vez mais pessoas (especialmente os jovens) preferem beber uma taça de prosecco, como uma de cerveja. O grande sucesso das bodegas associadas ao Consorzio per la Tutela del Prosecco foi o de conseguir que seja visto como uma bebida de consumo diário, nas refeições, à noite, nas reuniões de amigos, e não apenas nas celebrações ou no Natal. Além disso, a marca genérica, que antes designava a cepa e agora a região de origem, é tão poderosa que é comum os consumidores pedirem prosecco, sem uma marca específica.

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