Vinhos orgânicos, biodinâmicos e naturais: Como compará-los aos tradicionais?

A procura sempre crescente feita por várias vinícolas para alcançar o maior número de consumidores, levou-as a produzirem vinhos com características uniformizadas por meios de técnicas incomuns e utilização excessiva de aditivos naturais e sintéticos. Esta atitude começou a entrar em conflito com os princípios da biodiversidade e desapontar tanto os produtores quanto os consumidores, dando origem a 3 novas categorias de vinhos: os orgânicos, os biodinâmicos e os naturais.

Quanto, efetivamente, sabe sobre o significado deles?

Começamos, explicando as diferenças dos três tipos de vinhos:

Vinho orgânico: é um vinho produzido da agricultura biológica. A uva é cultivada sem produtos sintéticos (no lugar de pesticidas são usados cobre e enxofre, ao invés de fertilizantes químicos são utilizados aqueles orgânicos), na produção, a lei permite o uso de 40 aditivos e o limite de sulfito é de 150 mg/l para os brancos e 100 mg/l para os tintos.

É curioso perceber que antigamente na certificação, era indicado “vinho feito de uvas cultivadas organicamente”, que na minha opinião era mais correto, pois hoje é simplesmente definido “vinho orgânico”.

Vinho biodinâmico: é um vinho feito a partir de uvas cultivadas biodinâmicamente, ou seja, seguindo os princípios do filósofo austríaco Rudolf Steiner, segundo o qual, a vinha é considerada uma entidade viva, cuja energia deve ser reativada através do equilíbrio entre solo, ar, água, plantas, animais, calor, luz e cosmo. Para obter tudo isso, são usadas preparações biodinâmicas específicas, como esterco de chifre para a terra, chifre de sílica para as plantas, decocções a base de vegetais e adubo verde, além de respeitar fielmente o calendário lunar para a realização da poda, do engarrafamento e da decantação.

Vinho natural: entre os vinhos orgânicos, biodinâmicos e naturais, esta tipologia é a mais interessante. Os produtores que abraçam essa filosofia têm a convicção que a utilização da química na produção dos vinhos é exagerada, e que os vinhos de hoje são amplamente homogêneos e desprovidos de suas especificidades. Daí o compromisso de usar apenas o cobre e o enxofre no vinhedo e na produção praticar a fermentação espontânea fazendo pouco uso de leveduras selecionadas, sem clarificação, filtração e usando o mínimo necessário de sulfitos (abaixo de 50 mg/l).

Depois de esclarecer como se diferenciam os três tipos de vinhos, podemos analisar melhor as diferenças com aqueles produzidos de maneira tradicional.

Hoje a maioria das produções das vinícolas, graças ao trabalho dos produtores orgânicos, biodinâmicos e naturais, adotam técnicas de produção muito mais atentas à biodiversidade, ninguém usa mais fertilizantes ou herbicidas químicos (a legislação européia reduziu quase totalmente a utilização de tais componentes) e todos fazem seleção das uvas para produzir os melhores vinhos trabalhando, de fato, com técnicas muito próximas aos princípios biodinâmicos.

As divergências se referem ao envelhecimento do vinho, sem a utilização dos sulfitos não seria possível, hoje apreciar um Barolo ou um Brunello de Montalcino de 50 ou mais anos atrás, por que o vinho, sendo um fermentado, continua se desenvolvendo e só através destes aditivos é possível bloquear o processo natural e permitir ao mesmo tempo o amadurecimento e a sobrevivência ao longo dos anos.

Em minha opinião ter a possibilidade de encontrar no mercado, vinhos que não são apenas diferentes pela qualidade das uvas, mas também pela técnica de produção, mostra como é complexo e intrigante este mundo e quanto vale a pena conhecê-lo cada vez mais.

Nós da Paraju-Vinhos, importamos produtores orgânicos, biodinâmicos, e tradicionais para que nossos clientes possam apreciar o melhor da produção de vinhos da Itália, mas saber quais as diferenças entre um Sangiovese Riserva biodinâmico de Paolo Francesconi, ou um supertoscano orgânico Al Passo de Tolaini ou um Amarone Clássico de Roeno deixamos a vocês o prazer de descobri-los…

Salute.

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