O “aperichat” na época do coronavírus

O “aperichat” na época do coronavírus

Nestes tempos difíceis, quando ficar em casa é obrigatório, na Itália, onde nasceu o aperitivo, surgiu o dilema de como tomar uma garrafa de bom vinho com os amigos.

A grande inventividade dos italianos, famosa em todo o mundo, também tem sido útil em um período de emergência sanitária através a criação do “aperichat”.

Mesmo não podendo sair de casa, basta uma garrafa de vinho (tinto, branco, rosé ou espumante), um telefone celular ou um PC, para fazer uma chamada de vídeo.

Não faltam plataformas multimídia, do Whatsapp ao Facebook, do Skype ao Zoom, e mesmo que beijos e abraços, proibidos nesse período, estejam faltando, com essas soluções tecnológicas, e depois de algumas taças, você parecerá estar no seu lugar favorito com seus amigos, parentes ou colegas.

Nós da Paraju Vinhos, que temos uma alma italiana, reservamos para você três esplêndidos vinhos, com descontos super especiais, que podemos entregar diretamente na sua casa para seus “aperichats”: Grillo Parlante, da vinícola Fondo Antico, um vinho siciliano da uva nativa Grillo, aromático, fresco, frutado e elegante, de R$ 185,00 por R$ 90,00; Tardòc, um Barbera d’Alba da vinícola Villadoria del Piemonte, fino, delicado e rico em aromas e sabores típicos da região de Langhe, de R$ 120,00 por R$ 60,00; e por último, mas não menos importante, o Maremmante di Poggiargentiera, um vinho toscano de Maremma, feito com uvas Cabernet Franc e Syrah, estruturado, complexo e totalmente orgânico, de R$ 160,00 por R$ 80,00.

Agora que você tem todas as informações necessárias, e os melhores vinhos, só falta experimentar uma nova maneira de socializar sem perder os bons hábitos italianos…..

 

Salute!

 

Alessandro Moretti.

Barris e barriques híbridos

Barris e barriques híbridos

Como sabemos, a influência que a madeira exerce sobre um vinho ou destilado é imensa, mas o uso de barris de carvalho 100% francês pode ser proibitivo em termos de custos. Por este motivo, várias vinícolas do mundo estão adotando uma nova técnica que talvez possa representar uma nova era para os vinhos evoluídos.

No início dos anos 90, as vinícolas, principalmente nos Estados Unidos, começaram a pensar em como usar o carvalho francês sem ter que gastar US$ 900 num barril. Empresas de fabricação de barris como a Nadalié tonnellerie, que abriu a primeira tonnellerie francesa nos EUA, começaram a produzir barris cujos corpos eram feitos de tábuas de carvalho americano e os tampos de carvalho francês.

A vinícola Von Stiehl, em Wisconsin, foi umas das primeiras a usar estes barris híbridos para obter um interessante resultado, tanto econômico quanto organoléptico. E ainda hoje, os usa para amadurecer todos os vinhos tintos que produz, com excelentes resultados.

Desde 2002, querendo criar um novo estilo de Rioja Crianza, María Barúa, da Bodegas LAN, percorreu o mesmo caminho, e hoje abriga nas suas adegas cerca de 20.000 barris, sendo 60% feitos com a combinação de diferentes madeiras. Bodegas LAN foi a pioneira, e abriu o caminho para o uso dos barris híbridos na Espanha.

Já na Itália, o uso dos barris híbridos começou apenas há pouco tempo, principalmente em vinícolas cujos enólogos têm experiência internacional, ou são mais jovens e abertos a novos conceitos.

A vinícola Baglio Oro, na Sicília, por exemplo, nossa parceira desde 2018, utiliza barris de 500 litros feitos com carvalho francês e cerejeira italiana, para envelhecer todos os vinhos tintos do seu portfólio, exceto os da linha de entrada “Dei Respiri”. O resultado proporciona vinhos com características inusitadas em relação ao padrão da produção enológica da Sicília. A melhor expressão decorrente desta novidade é representada pelo Nero d’Avola Guardiani di Ceppineri, que passa 1 ano em carvalho híbrido. Graças ao carvalho francês, apresenta aromas com notas muito mais adocicadas de hortelã e folha de tomate do que as amargas de grafite, que são comuns e típicas de todos os vinhos da uva Nero d’Avola. E na boca, a madeira de cerejeira deixa que o vinho mostre toda a evolução da fruta vermelha que o acompanha, conferindo um ótimo frescor.

Também o famoso enólogo italiano Luca d’Attoma, da vinícola Tolaini na Toscana, outra nossa grande parceira, junto com um toneleiro local, está desenvolvendo um novo projeto para o vinho Al Passo, usando barris de 500 litros feitos inteiramente com carvalho toscano da região de Chianti. Este é um sinal de que, num país tão tradicional como a Itália, está começando a surgir um novo caminho na produção e no uso de barris.

Apesar dos dados fornecidos pelos fabricantes de barris mostrarem que o principal incentivo que leva os produtores de vinho a usar os híbridos ainda é o aspecto econômico, e que as vendas permaneceram estáticas e representam menos de 5% do mercado, vale a pena analisar como num mundo em que eco-sustentabilidade é a palavra-chave para preservar o ambiente em que vivemos, a indústria do vinho deve tentar se adaptar a uma nova era. Depois das rolhas, talvez os barris possam mudar mais uma vez o cenário da enologia mundial.

Salute!

Alessandro Moretti

As cores do vinho

As cores do vinho

A cor de um vinho é certamente o primeiro aspecto que salta aos olhos do consumidor quando uma garrafa é aberta. Esta é uma avaliação importante, pois fornece indicações preliminares sobre o status e a qualidade do vinho, que podem ser confirmadas ou não pela análise olfativa e gustativa subseqüente.Além disso, o ambiente climático, a estrutura físicado solo, a área de produção, o tipo de uva, o tipo de processamento da própria uva, sua acidez, estado de oxidação, idade do vinho e muitos outros fatores influenciam a intensidade, vivacidade e tom da bebida. A partir da cor, já podemos imaginar as principais características do nosso vinho.

A cor do vinho é geralmente classificada em três categorias principais: branco, rosé e tinto. É uma divisão bem conhecida, mas muitas vezes redutora, porque as nuances que nossa bebida favorita pode levar são muitas e significativas. Pode ser definido um vinho branco / amarelo, dependendo da cor: amarelo – esverdeado, amarelo palha, amarelo dourado e amarelo âmbar. O rosé: macio, cereja ou clarete. Tinto: roxo, rubi, granada ou laranja. A partir dessas cores, podemos extrair pelo menos três indicações importantes: período de colheita, maturação e características da uva, técnicas e métodos de vinificação.

As cores do branco:

Amarelo – esverdeado

Este tom de vinho branco pode ser descrito como um amarelo muito claro com reflexos verdes, semelhante ao suco que produz um limão que ainda não está muito maduro. É típico de vinhos jovens e leves, mal estruturados, ácidos, com uvas colhidas antes dos padrões usuais e não totalmente maduras.

 

Amarelo palha

Este tom de vinho branco é comparado aos reflexos amarelos da palha. É típico de vinhos produzidos a partir de uvas colhidas no auge de sua maturação, de vinhos com boa estrutura e frescura moderada, refinados e envelhecidos em pequenos barris e aos quais tempos, atenção e cuidado foram dedicados em todas as fases de produção.

 

Amarelo Dourado

Essa tonalidade de vinho branco lembra a cor de ouro amarelo dos anéis de casamento e é encontrada em vinhos suaves produzidos a partir de uvas colhidas em um estado de maturação excessiva, em vinhos brancos bastante estruturados, geralmente envelhecidos por muito tempo em barris de madeira.

 

Amarelo âmbar

Tonalidade que lembra a cor de minerais como topázio e âmbar e normalmente encontrada em vinhos doces ou licorosos, que, portanto, passaram por todos os processos especiais para a produção desse tipo de vinho. Atenção, se você se deparar com um vinho que não seja passito ou licor desta cor, é um mau sinal: é um vinho excessivamente oxidado ou com defeito.

 

As cores do Rosé:

Rosa tênue

Tonalidade de vinho rosé semelhante à cor das pétalas da flor homônima. É típico de vinhos rosés jovens, frescos, elegantes e pouco estruturados, obtidos com uma vinificação que requer apenas um contato mínimo entre o mosto e a casca da uva, além de uma rápida maceração.

 

Rosa cereja

Tom de cor mais poderoso do que Rosa Tênue, que podemos comparar com o de suco de cereja. É a tonalidade mais comum do rosé, obtida com uma maceração mais longa que as anteriores e com uvas que atingiram o grau certo de maturação.

 

Rosa clarete

Tonalidade complexa para descrever e reconhecer, porque fica a meio caminho entre os vinhos rosés e os tintos. É frequentemente chamado de tom “rubi claro ou fraco”, típico de vinhos com mostos que passam muito tempo em contato com as peles e, portanto, assumem uma cor escura. Normalmente, após o primeiro ano de vida, a cor desses vinhos assume nuances alaranjadas marcadas.

 

As cores do tinto:

Roxo vermelho

É um tom de cor que caracteriza os vinhos tintos muito jovens, frescos e leves, com estrutura e corpo deficientes. A cor lembra a das roupas cardinaladas.

 

Vermelho rubi

Tom de vinho tinto que se refere aos tons violetas da pedra com o mesmo nome e não tanto à cor característica da própria pedra que, como vimos se aproxima do rosa clarete. É típico de vinhos tintos em excelente estado de saúde e bem preservados, de corpo médio e com uvas colhidas durante o período ideal de amadurecimento. Entre os tintos, é o tom mais comum.

 

Vermelho Granado

Tom de vinhos tintos maduros, encorpados e estruturados, sujeitos ao envelhecimento em barris de médio e longo prazo. É uma cor muito semelhante à das sementes de romã.

 

Vermelho alaranjado

É a cor dos grandes vinhos tintos, de grande caráter e estrutura, deixados envelhecerem por um longo tempo. A escolha do nome dessa tonalidade ainda é objeto de discussão, porque para muitos é marrom com reflexos alaranjados, enquanto para outros é apenas a cor de um tijolo escuro ou levemente sujo.Como vocês podem imaginar, reconhecer a cor de um vinho é uma operação bastante complicada, porque as nuances e diferenças entre as várias cores são realmente mínimas, portanto, requer uma grande capacidade visual e muita experiência.

 

Como talvez alguém reparou, deixei de falar sobre uma cor de vinho que hoje está muito de moda, estou falando dos “laranjas”. Estes vinhos são muito peculiares e vou dedicar um Blog específico para ajudar a entender-los melhor.

 

Salute!

 

Alessandro Moretti.

O decanter

O decanter

O decanter é uma ferramenta de serviço de vinhos que não é incomum encontrar nas mesas de enófilos. É um termo em inglês que indica uma espécie de “jarra” ou “ampola” em vidro ou cristal usado para decantar e oxigenar o vinho, ou favorecer a sua evolução e permitir a expressão máxima do seu buquê de perfumes. Vamos descobrir tudo sobre esta importante ferramenta: por que é útil, como usá-la e em que ocasiões.

Por que usar o Decanter?

O decanter é o instrumento ideal para uma perfeita oxigenação do vinho e para permitir que os seus perfumes se expressem da melhor forma possível. Além disso, a sua forma particular, com uma base bastante larga e bastante plana, garante uma ampla superfície de contato entre oxigênio e vinho e, graças à notável volatilidade do álcool, permite que seus perfumes se libertem mais rapidamente e da melhor maneira possível enquanto a parte final, com um pescoço estreito e alongado, evita uma rápida dispersão dos perfumes. Em outras palavras, o decanter aprimora os aromas e as características organolépticas de um vinho mas também é usado para separar os sedimentos do vinho, os sommelier usam uma pequena vela ou um isqueiro colocado entre a garrafa e o decanter e começam a derramar o vinho muito lentamente, a luz da chama possibilita a identificação dos resíduos e evita a decantação na ampola. Esta operação é realizada com vinhos muito evoluídos e não com vinhos jovens que não puderam desenvolver partes sólidas.

Quando usar o Decanter?

O decanter não deve ser usado sempre e em qualquer caso, mas apenas em determinadas situações e com certos vinhos. Muitas vezes, seu charme e elegância levam a um uso inadequado ou apenas para fins estéticos e cênicos, como um elemento capaz de embelezar e dar brilho à mesa. No caso dos brancos, só deve ser utilizado para vinhos não muito jovens, complexos, com aromas variados e resíduos sólidos visíveis no fundo ou nas paredes da garrafa. Nem é necessário usá-lo com vinhos tintos jovens, enquanto é recomendado com vinhos tintos evoluídos.

Como usar o Decanter?

O decanter deve ser usado com cuidado e delicadeza. O processo pelo qual o vinho é transferido requer atenção máxima, antes de tudo, é aconselhável manter a garrafa que você pretende consumir na vertical por pelo menos 24 horas antes da decantação. Isso permite que os sedimentos que se formaram se depositem no fundo da garrafa. Coloque o gargalo da garrafa na boca do decanter e incline-o levemente. Nesse ponto, despeje delicadamente o conteúdo, evitando solavancos bruscos, use um isqueiro ou a chama de uma vela para acender a garrafa e reconhecer a chegada de resíduos sólidos: este é o momento certo para parar o versamento.

Agora que vocês sabem tudo sobre esta ferramenta, recomendo usá-lo e manuseá-lo com cuidado….

 

Salute!

 

Alessandro Moretti

O vinho e seus copos

O vinho e seus copos

Quando você pensa em um bom momento para passar com amigos ou pessoas queridas, a primeira coisa que vem à mente é a mesa, um lugar para aproveitar de bons pratos e talvez se deliciar com uma boa garrafa de vinho. Branco, vermelho ou rosé não é importante, depende da época ou da ocasião, mas nunca se pensa no facto que uma taça não adequada pode distorcer o sabor de um vinho ou torná-lo desarmonioso para harmonizar com o prato.

 

Se pensarmos, por exemplo, num grande vinho como um Brunello di Montalcino, um Barolo ou um Supertoscano, temos que pensar de usar uma taça grande porque a ampla capacidade permite que estes vinhos libertem o “bouquet” em toda a sua força, equilibrando-o ao mesmo tempo a sua complexidade, além disso a forma ampla da borda, orienta o vinho em direção ao centro da língua para então preencher toda a boca, evitando assim que o tanino sobrecarregue os outros elementos e criando uma perfeita harmonia entre os componentes frutado, tânico e ácido.

Se em vez disso temos que servir um vinho jovem, aromático ou particularmente delicado, como um Vermentino ou um Sauvignon ou um Marzemino, que precisa liberar o seu buquê, precisamos de um copo de vinho com uma boca estreita, capaz de transmitir o aroma ao nariz diretamente sem dispersão. .

 

O copo de vinho foi inventado na Áustria por Riedel de Kufsteisn cuja família se dedicou de 1756 ao comércio de vidro. Uma longa geração que chegou até hoje através Claus Riedel, que, com a colaboração de um grupo de sommelier italianos, no início dos anos setenta criou a famosa “Sommelier series”, uma linha de taças com um design elegante adequadas para servir os vários tipos de vinho e que marcou o início das taças que conhecemos e hoje.

 

Salute!

 

 

Alessandro Moretti.

O vinho na lua

O vinho na lua

Em 20 de julho de 1969, dois membros da missão espacial Apollo 11, Neil Armstrong e Buzz Aldrin, entraram na história da humanidade; eles eram de fato os primeiros homens a pisar na lua. Entre as muitas anedotas em torno deste evento extraordinário, há uma sobre o vinho, que fez com que se tornasse o protagonista desse desembarque, foi a primeira bebida a ser consumida na lua. O episódio foi bastante polêmico e foi dito por seu protagonista, Buzz Aldrin, em um artigo interessante, publicado um ano depois de pousar na Lua.

Em 1970, o artigo apareceu na revista da organização cristã chamada “Guideposts”, na qual o astronauta norte-americano descreve em detalhes o episódio que ocorreu durante o período entre o pouso e a abertura da espaçonave. O episódio foi então enriquecido com mais detalhes em sua autobiografia “Magnificent Desolation: The Long Journey Home from the Moon”, publicada em 2009.

Imediatamente após o pouso, o programa da NASA previa o descanso de seus astronautas, que deveriam dormir por cerca de cinco horas, antes de se prepararem para explorar o solo lunar. Armstrong e Aldrin comunicaram sua dificuldade em adormecer, animados pelo evento, pedindo e tendo a chance de ficarem acordados e começarem os preparativos.

Aldrin também decidiu celebrar o rito católico de Comunhão, de fato, entre os poucos objetos pessoais que a NASA permitia que os astronautas levassem para todas as missões, Aldrin escolheu um pequeno recipiente com um cálice, um pouco de vinho e um pedaço de pão. Esses momentos são descritos diretamente pelo protagonista:
“I opened the little plastic packages which contained the bread and the wine. I poured the wine into the chalice […] In the one-sixthgravity of the moon, the wines lowly curled and gracefullycame up the side of the cup […]”
A descrição é meticulosa e fascinante, o vinho, submetido à gravidade lunar, se enrola, subindo a lateral da taça.
Até então, a NASA nunca tinha proibido, na verdade, o vinho foi incluído até nos menus dos astronautas, mas em 1972, decidiu intervir sobre o assunto, impedindo que cada astronauta consumisse álcool 12 horas antes da decolagem e transformando assim esse episódio na primeira e provavelmente última aterrissagem do vinho na lua.

Salute!

Alessandro Moretti

Vinitaly, a maior edição de todos os tempos!!!

Vinitaly, a maior edição de todos os tempos!!!

A 53ª Vinitaly realizada em abril de 2019 em Verona, fechou os números registrando 125 mil visitantes de 145 países, bem semelhante a edição anterior, mas aumentando a qualidade e o número de compradores estrangeiros credenciados que este ano registraram um aumento de 3% para um total de 33 mil presenças. A Vinitaly foi a maior em comparação com os anos anteriores com 4.600 empresas, 130 a mais do que no ano passado, e 100 mil metros quadrados de espaço para exposições, comentou Maurizio Danese, presidente da Veronafiere, que também ressaltou que este ano também foi uma Vinitaly cada vez mais digital.

O grande sucesso da feira também se deve ao aumento do público estrangeiro que, mais do que nunca, está aprendendo a conhecer não apenas a excelência de enologia italiana, mas também os vinhos “autoctones”das diversas regiões italianas. Depois de inaugurar o “ Wine South America” no Brasil no ano passado, a empresa Veronafiere começará uma nova aventura na China, “Wine to Asia”, com o objetivo de aumentar a conscientização sobre os vinhos italianos no Extremo Oriente.

Emilia Romagna e Marche foram as regiões com os pavilhões mais visitados, demonstrando que a produção de vinho na Itália está em constante evolução e que até mesmo nas áreas menos conhecidas escondem valiosos tesouros.

Salute!

Alessandro Moretti

Vinho e lua. Que conexão misteriosa os unem?

Vinho e lua. Que conexão misteriosa os unem?

Desde a antiguidade, a lua exerce uma atração curiosa sobre o homem e sua vida agrícola, influenciando suas escolhas e principalmente em respeito ao mundo do vinho, da videira à garrafa, em nome de um casamento que dura há milênios entre ciência e a sabedoria popular.

O processo de poda, por exemplo, na videiras mais velhas é feito estritamente na lua nova a fim de engrossar a folhagem e favorecer um bom amadurecimento das uvas, por outro lado nos vinhedos jovens, cujo vigor precisa ser mantido sob controle, a poda se efetua quando a lua está em uma fase de declínio. Também as operações de corte se efetuam com a lua em fase de declino, para favorecer a formação de novas folhas e para o desenvolvimento do cacho.

O momento mais delicado e precioso de todo o ciclo de produção, no entanto, é obviamente o engarrafamento, durante o qual respeitar as fases da lua significa não apenas continuar uma tradição secular, mas seguir um processo sagrado onde para obter excelentes vinhos tranqüilos é essencial a lua minguante, enquanto para os vinhos frizantes, é preciso ter uma lua crescente.

No passado, havia outras medidas levadas em conta, mas que atualmente não são mais praticadas por razões comerciais como, por exemplo, as decantações do mosto fermentado realizadas exclusivamente com a lua cheia, em dias calmos e sem vento. Como o vinho, de fato, está vivo, é afetado pelas condições climáticas externas e as absorvem, permanecendo particularmente influenciado por elas. Portanto a decantação do mosto fermentado era feita a uma altura de cerca de um metro, com as portas da cantina abertas, para permitir que o sol e ar fresco pudessem entrar em contato, permitindo a passagem de todos os seus benefícios balsâmicos.

É por isto que produzir vinho é uma arte feita de tradições e inovações, e que um bom vinho nunca poderá ser definido como uma simples bebida.

Salute!

Alessandro Moretti.

Rosé, que paixão

Rosé, que paixão

Quando o calor chega, não há nada mais atraente do que um copo de rosé gelado, que, com sua delicada cor rosa e seu buquê, tão rico em frutas frescas, nos faz imediatamente pensar que estamos em férias.

O vinho Rosé surgiu na França, onde ainda hoje representa o vinho de Natal, enquanto na Itália, se espalhou a partir do século XX, quando Leone De Castris, em 1925, começou a comercializar seu rosé

O vinho rosé não é o resultado da mistura de vinho tinto com vinho branco, o que também é proibido por lei, mas é o produto de uvas vermelhas vinificadas em branco, ou com um tempo muito curto de maceração. Em outras palavras, ao contrário da vinificação em vermelho, para produzir o rosado as peles de uvas vermelhas são deixadas a macerar para um tempo reduzido: não por cerca de 15 dias, como no caso da produção de vinho tinto, mas por algumas horas, no máximo, 24 – 48 horas

A cor do vinho depende precisamente da duração do tempo de maceração e é dividida em três categorias:

Rosa suave, um tom muito leve, que lembra os tons de flor de pessegueiro, cobre ou casca de cebola e pode ser obtido com uma curta maceração das uvas (2 ou 3 horas), ou com a maceração de uvas brancas com corantes como o Pinot Grigio. Um exemplo é o rosé da Provence ou o Pinot Grigio Ramato do Veneto.

Rosa Cerasuolo, o nome deriva do fato de que essa sombra lembra a “cereja” e é obtida com uma maceração mais longa das peles (6-10 horas). Um exemplo é o Cerasuolo d’Abruzzo baseado em uvas Montepulciano.

Rosa claro, uma cor muito mais escura que as outras duas, quase rubi, obtido através de uma maceração de 10 a 24 horas ou com vinificação em uvas vermelhas, com poucos taninos e baixa pigmentação, como o Pinot Noir. Um exemplo é o Clairet de Bordeaux.

Podemos afirmar que o vinho Rosé tem características semelhantes ao vinho branco em quanto deve ser servido fresco (a uma temperatura de 10-12 graus), tem uma forte acidez e um teor alcoólico entre 12,5% e 13,5%, e possui um sabor suave e aveludado com delicados aromas de frutas frescas.

Todas estas qualidades fazem dele um vinho versátil, ideal como aperitivo ou para acompanhar entradas de peixe, saladas mistas, massas e risotos delicados, bem como carnes curadas, flans vegetais e parmegianas. Em suma, um vinho para todas as refeições.

Salute!

Alessandro Moretti

Por que esperar mais um ano para beber um espumante?

Por que esperar mais um ano para beber um espumante?

As festas acabaram e o que deixamos para trás são lembranças comemorativas brindando no Natal e Ano Novo com uma taça de vinho espumante. Mas porque não continuar a beber um espumante durante o ano todo, mesmo sem ter que comemorar alguma coisa, mas simplesmente pelo prazer de beber um vinho que pode acompanhar as nossas refeições diárias?

O vinho espumante, na verdade, é o único tipo de vinho que pode acompanhar carne e peixe, seja um prato leve ou estruturado, um macarrão com tomate ou com molho branco, uma pizza ou uma torta saborosa. A maioria de nós associamos o vinho espumante a uma ocasião especial, um momento de comemoração ou diversão por causa da imagem da rolha estourando usada para indicar estes momentos e poucos sabem que o vinho espumante pode ter tanto a leveza e o frescor de um branco quanto a complexidade e estrutura de um grande tinto.

O vinho espumante é o vinho que harmoniza com o maior número de pratos, porque a sua acidez inicial devido à sua efervescência, limpa o nosso paladar de qualquer sensação que a comida nos transmite, a oleosidade, a untuosidade, o ressecamento e a suculência. O único prato que o vinho espumante não consegue harmonizar é aquele ao qual está associado com mais frequência, a sobremesa. Geralmente, se você pensa em um aniversário, um casamento ou qualquer almoço ou jantar comemorativo, o vinho espumante é sempre servido no final junto com a sobremesa para brindar ao evento.

Na verdade, se olharmos com cuidado a combinação, podemos ver que, quando bebemos um vinho espumante com uma sobremesa o contraste gerado entre a sensação de extrema doçura, devida ao alto teor de açúcar na sobremesa, e a extrema acidez do dióxido de carbono libertado pela efervescência do vinho cria um verdadeiro choque no nosso paladar.

Exceção entre os vinhos espumantes é o Moscatel ou Moscato di Asti na Italia que pela sua doçura marcante, é o unico vinho espumante que harmoniza com as sobremesa mas que não harmoniza com nenhu outro prato.

Como os produtores de Champagne patentearam o nome Método Champenoise há muitos anos, na Itália, é chamado de Método Clássico, e também na Itália, como na França, se produzem excelentes vinhos espumantes reconhecidos em todo o mundo ao par dos grandes Champagnes. Entre os nomes mais famosos do Método Clássico italianos mencionamos o Franciacorta (Lombardia), o Trento Talento (Trentino) e os grandes vinhos espumantes do Alto Adige em quanto o espumante italiano produzido com metodo Charmat mais reconhecido no mundo, é o famoso Prosecco.

Deixo a explicação das diferencias entre Metodo Champenoise ou Classico e Metodo Charmat para um proximo blog, até lá Vocês podem se divertir escolhendo o vinho espumante que gostam mais para acompanhar a sua refeição diaria ou para uma ocasião especial, não espere até Dezembro próximo para deliciar o seu paladar com um vinho que pode acompanhá-lo ao longo do ano.

Salute!

Alessandro Moretti.

Chegou à época dos guias dos vinhos: COMO INTERPRETÁ-LOS

Chegou à época dos guias dos vinhos: COMO INTERPRETÁ-LOS

Chegamos à época do ano, tão ansiosamente esperada pelos consumidores, que coincide com o lançamento dos vários guias nacionais e internacionais que premiam os melhores vinhos no mundo todo.

Essas publicações, tão celebradas, certamente agregam glamour e importância ao mundo do vinho, reconhecendo o fruto do trabalho de muitos produtores e encorajando muitos outros a trabalhar nos níveis mais altos.

Mas os consumidores são capazes de decifrar e interpretar as avaliações e os prêmios diferentes que cada guia atribui para os vinhos? Por que um vinho é premiado e celebrado em um guia e em outro não é nem considerado? Qual guia devemos considerar mais influente?

Para responder a estas perguntas temos que pensar que os sommelier ou os especialistas que trabalham nos guias são indivíduos que, embora tecnicamente preparados, como todos nós, tem diferentes gostos pessoais e diferentes paladares que usam para avaliar os vinhos, portanto, de um modo geral, mesmo degustando os mesmos vinhos, é improvável que eles os avaliem da mesma maneira.

Mas como podemos, como consumidores finais, comprar os melhores vinhos sugeridos pelos guias? A resposta é simples, basta seguir o seu paladar.

Só assim poderemos interpretar e seguir melhor o que os guias nos indicam, compreendendo quem, entre os especialistas, foi capaz de dar a melhor indicação e que está mais de acordo com o nosso paladar. Não tenha medo de discordar das guias ou de uma pontuação dada a um vinho, mesmo se você não é técnico, cada vinho vai gerar sensações diferentes e você não deve sentir se desconfortável se o que você comprou seguindo uma orientação não respeitou suas expectativas.

Mesmo que os guias internacionais, sejam os mais seguidos pelos consumidores, não subestime a importância dos guias nacionais porque os especialistas que trabalham para eles estão mais acostumados em beber vinho nacional e seu paladar é muito mais sensível para reconhecer as diferenças entre vinhos feitos com a mesma uva. Isso não significa que o guia nacional como o Gambero Rosso na Itália seja mais confiável do que o Wine Spectator, por exemplo, mas seus especialistas certamente avaliam um número maior de produtores nacionais com maior criticidade. Por outro lado, os guias internacionais utilizam especialistas muito mais preparados em avaliar vinhos de todo o mundo, como o Master of the Wine, por exemplo, que é muito mais capaz de entender os gostos dos consumidores de todo o mundo em relação aos vinhos de cada país.

Em conclusão, meu conselho é provar um bom vinho e analisá-lo com as opiniões dos vários guias, mas deixar que o próprio vinho faça você entender quantos pontos ele vale para você.

Salute!

Alessandro Moretti.

Colheita 2018: O que devemos esperar?

Colheita 2018: O que devemos esperar?

A colheita das uvas acabam de terminar em todas as regiões italianas, e chegou a hora de fazer os primeiros balanços sobre os vinhos que iremos esperar para a safra 2018.

Em geral, a produção foi menor do que em 2017, mas ao visitar os vários produtores da Itália, ouvimos diferentes opiniões e expectativas relacionadas a um comportamento climático muito diferente entre as várias regiões e até mesmo dentro de uma mesma região.

No norte da Itália, nas regiões de Veneto, Friuli Venezia Giulia e Trentino Alto Adige, a temporada de 2018 foi excepcional, principalmente para os vinhos brancos.

O verão foi fresco, com boa escursão térmica e com chuvas pouco persistentes, o que permitiu que as uvas desenvolvessem uma grande carga aromática e um excelente buquê.

Na Emilia Romagna, por outro lado, foi muito quente todo o verão, o que permitiu a proliferação de muitas pragas que limitaram a produção, principalmente nas produções com agricultura biodinâmica.

Mesmo na Toscana, o verão foi muito quente, mas em algumas áreas, como na Maremma, por exemplo, o vento do litoral manteve as vinhas secas, favorecendo uma excelente maturação das uvas. Em Montalcino, alguns produtores, sofreram mais do que outros, por causa das altas temperaturas, aqueles que tiveram os vinhedos na parte inferior tiveram muitos problemas de pragas e doenças enquanto aqueles que os tiveram em altitudes maiores tiveram uma excelente produção. No vale do Chianti enfim, as fortes chuvas e o granizo danificaram alguns produtores, enquanto outros não foram atingidos.

No sul, foi registrada situação mais complicada. Além de um verão muito chuvoso que comprometeu o amadurecimento das uvas, pouco antes da colheita, além de temporais com fortes chuvas houve também queda de granizo que danificou muitos vinhedos.

Podemos dizer que 2018 será um grande ano para os brancos italianos, principalmente para as regiões mais importantes, como Friuli e Alto Adige, enquanto para os tintos a qualidade não será a mesma para todas as áreas. Em todos os casos, em geral, foi um bom ano, apesar do tempo não respeitar as regras sazonais, mas sobre isso iremos falar novamente.

Salute!

Alessandro Moretti.

Harmonização

Harmonização

Cada um de nós tem a capacidade de perceber os sabores, que é diferente para cada indivíduo e assim, como acontece para a visão ou para a audição ou para o sentido ou olfato, essa capacidade pode ser mais ou menos desenvolvida.

Muitas vezes ouvimos falar de harmonização entre comida e vinho e pensamos que a combinação de um vinho com um prato específico deve seguir regras pré-definidas, mas na realidade o que e quanto sabemos realmente sobre este assunto? Vamos descobrir juntos.

O nosso paladar reage de uma forma muito simples e lógica, reagindo às sensações que o vinho e a comida nos dão quando consumimos uma refeição. A regra básica para associar um vinho a um prato é começar analisando os sabores do prato que comemos.

Vivemos em um mundo frenético, e mesmo quando paramos para comer, quase não prestamos atenção aos sabores, ou porque estamos empenhados em uma conversa ou porque estamos falando ao telefone ou acompanhando os mídia sociais. Isso nos leva a perder as nuances de sabores que um prato simples de macarrão com molho de tomate, uma pizza ou um prato mais elaborado pode nos oferecer.

Um exercício muito interessante que sugiro que vocês façam cada vez que comer uma refeição, é começar com cheirar seus aromas e quando comê-la tentamos mastigar os alimentos que estão consumindo a fim de perceber o maior número de sensações que o mesmo nos dá.

Se nos concentrarmos, podemos perceber a tendência amarga do radicchio, a sensação gordurosa do Parmiggiano, a crocância de uma maçã, etc.

O mesmo vale para os vinhos, quando sentimos os aromas que um vinho solta e o bebemos, na nossa boca sentimos sensações que são facilmente identificados pelos nossos cérebros, mas que se não analisarmos com cuidado pode nos dar uma leitura errada do vinho que estamos bebendo.

Se nos acostumamos a analisar os gostos e os cheiros dos alimentos que comemos e dos vinhos que bebemos, iremos começar a sentir lentamente, como álcool e taninos têm características de desidratação que removem líquido da cavidade oral e, portanto, se opõem a suculência de uma carne grelhada ou de um pedaço de pão que, ao contrario, aumenta a produção de líquido na boca. Ou como a efervescência e a sapidez produzem uma agradável sensação de limpeza da nossa boca quando comemos uma prato frito que dixa no nosso paladar uma sensação de untuosidade ou um alimento com tendencia doce que deixa um final amargo.

O que permanece no fundo do nosso paladar quando engolimos um gole de vinho depois de ingerir um pedaço de comida é o que definimos harmonização. Não devemos pensar de combinar os sabores que percebemos em um alimento com aqueles que um vinho deixa-nos na ponta da língua, mas entender se no fundo do paladar não sentimos nenhum gosto percebendo uma sensação de limpeza. Se isso acontecer, completamos a harmonização entre o prato que comemos e o vinho que bebemos.

Em 90% dos casos nos quais temos uma péssima memória de um prato que comemos em um restaurante, o problema é devido a uma harmonização errada, porque o vinho teve um impacto negativo sobre os sabores dos alimentos deixando no nosso paladar uma sensação desagradavel que nos 100% das vezes atribuímos à comida em quanto o vinho, que experimentamos antes de comer e que escolhemos para ser de nosso gosto, achamos que não tem nada a ver com o ocorrido.

Harmonizações entre vinhos e alimentos, no entanto, nem sempre são possíveis. Isso acontece quando os pratos têm sabores muito intensos ou estão muito frios. Por exemplo: pratos ricos em vinagre, sorvetes, frutas cítricas, saladas de frutas e sobremesas com uma importante presença de licores. Neste casos tanto as comidas apresentam sensações muito extremas para um vinho consegui equilibrar o nosso paladar.

Siga sempre o seu paladar, não importa o quanto sensível ele seja, a regra é seguir sempre é chegar a sensação de limpeza, embora se em nosso paladar continua a ser um sabor agradável, se isto acontecer a harmonização não se completou e pode contaminar os sabores do próximo prato que iremos comer.

A melhor coisa a fazer para entender melhor a harmonização é experimentar constantemente novos alimentos e, em paralelo, beber e entender novos vinhos, o resto deixá-lo ao seu paladar.

Saúde!

Alessandro Moretti

Vinhos orgânicos, biodinâmicos e naturais: Como compará-los aos tradicionais?

Vinhos orgânicos, biodinâmicos e naturais: Como compará-los aos tradicionais?

A procura sempre crescente feita por várias vinícolas para alcançar o maior número de consumidores, levou-as a produzirem vinhos com características uniformizadas por meios de técnicas incomuns e utilização excessiva de aditivos naturais e sintéticos. Esta atitude começou a entrar em conflito com os princípios da biodiversidade e desapontar tanto os produtores quanto os consumidores, dando origem a 3 novas categorias de vinhos: os orgânicos, os biodinâmicos e os naturais.

Quanto, efetivamente, sabe sobre o significado deles?

Começamos, explicando as diferenças dos três tipos de vinhos:

Vinho orgânico: é um vinho produzido da agricultura biológica. A uva é cultivada sem produtos sintéticos (no lugar de pesticidas são usados cobre e enxofre, ao invés de fertilizantes químicos são utilizados aqueles orgânicos), na produção, a lei permite o uso de 40 aditivos e o limite de sulfito é de 150 mg/l para os brancos e 100 mg/l para os tintos.

É curioso perceber que antigamente na certificação, era indicado “vinho feito de uvas cultivadas organicamente”, que na minha opinião era mais correto, pois hoje é simplesmente definido “vinho orgânico”.

Vinho biodinâmico: é um vinho feito a partir de uvas cultivadas biodinâmicamente, ou seja, seguindo os princípios do filósofo austríaco Rudolf Steiner, segundo o qual, a vinha é considerada uma entidade viva, cuja energia deve ser reativada através do equilíbrio entre solo, ar, água, plantas, animais, calor, luz e cosmo. Para obter tudo isso, são usadas preparações biodinâmicas específicas, como esterco de chifre para a terra, chifre de sílica para as plantas, decocções a base de vegetais e adubo verde, além de respeitar fielmente o calendário lunar para a realização da poda, do engarrafamento e da decantação.

Vinho natural: entre os vinhos orgânicos, biodinâmicos e naturais, esta tipologia é a mais interessante. Os produtores que abraçam essa filosofia têm a convicção que a utilização da química na produção dos vinhos é exagerada, e que os vinhos de hoje são amplamente homogêneos e desprovidos de suas especificidades. Daí o compromisso de usar apenas o cobre e o enxofre no vinhedo e na produção praticar a fermentação espontânea fazendo pouco uso de leveduras selecionadas, sem clarificação, filtração e usando o mínimo necessário de sulfitos (abaixo de 50 mg/l).

Depois de esclarecer como se diferenciam os três tipos de vinhos, podemos analisar melhor as diferenças com aqueles produzidos de maneira tradicional.

Hoje a maioria das produções das vinícolas, graças ao trabalho dos produtores orgânicos, biodinâmicos e naturais, adotam técnicas de produção muito mais atentas à biodiversidade, ninguém usa mais fertilizantes ou herbicidas químicos (a legislação européia reduziu quase totalmente a utilização de tais componentes) e todos fazem seleção das uvas para produzir os melhores vinhos trabalhando, de fato, com técnicas muito próximas aos princípios biodinâmicos.

As divergências se referem ao envelhecimento do vinho, sem a utilização dos sulfitos não seria possível, hoje apreciar um Barolo ou um Brunello de Montalcino de 50 ou mais anos atrás, por que o vinho, sendo um fermentado, continua se desenvolvendo e só através destes aditivos é possível bloquear o processo natural e permitir ao mesmo tempo o amadurecimento e a sobrevivência ao longo dos anos.

Em minha opinião ter a possibilidade de encontrar no mercado, vinhos que não são apenas diferentes pela qualidade das uvas, mas também pela técnica de produção, mostra como é complexo e intrigante este mundo e quanto vale a pena conhecê-lo cada vez mais.

Nós da Paraju-Vinhos, importamos produtores orgânicos, biodinâmicos, e tradicionais para que nossos clientes possam apreciar o melhor da produção de vinhos da Itália, mas saber quais as diferenças entre um Sangiovese Riserva biodinâmico de Paolo Francesconi, ou um supertoscano orgânico Al Passo de Tolaini ou um Amarone Clássico de Roeno deixamos a vocês o prazer de descobri-los…

Salute.

Micro clima: o detalhe que faz a diferença

Micro clima: o detalhe que faz a diferença

Os vinhos italianos estão entre os mais apreciados no mundo. A razão depende de vários fatores, tais como: a história italiana na produção do vinho, que remonta à época etrusca; o Terroir (palavra francesa que se usa para identificar os efeitos conjuntos de clima e formação geológica do tereno, sobre as uvas); a qualidade das uvas e os seus mais de 600 tipos; a contribuição da tradição da enologia italiana, respeitada e reconhecida no mundo todo, etc …

Contudo existe um pequeno fator determinante, que passa despercebido: o micro clima.

Embora a Itália tenha uma extensão limitada de apenas 300.000 km², ela possui uma enorme quantidade de micro climas que cruzam o país de norte a sul. Este fenômeno natural é o responsável pela transformação de aromas e de sabores de uma mesma uva, cultivada em diferentes regiões ou na mesma região, permitindo a produção de vinhos com características muito diferentes uns dos outros.

Em algumas situações para sentir os efeitos do micro clima não temos sequer que nos mover, como acontece na região de Montalcino onde os Brunelli (Brunellos) beneficiados pela corrente de ar que surge no Vale Orcia, são mais complexos e harmônicos diferenciando-se dos restantes.

Podemos citar dois exemplos clássicos dos efeitos do micro clima na maturação das uvas; são dos vinhos: Picolit, produzido na região Friuli Venezia Giulia, e o Muffato, produzido nas colinas de Orvieto na região Umbria. No primeiro caso, por efeito de um aborto floral espontâneo, se formam simultaneamente uvas e flores nos cachos uva. No segundo, encontramos nas uvas o famoso mofo cinzento (Botrytis Cinerea).

Outro caso é aquele do Pinot Nero produzido no Alto Adige, que, por efeito do micro clima gerado pelas montanhas desta região, que protegem os vinhedos dos ventos frios do norte da Europa permitindo que o ar quente de verão produza mais umidade a essa altitude, desenvolveu uma baixa acidez e um aroma de frutas vermelhas delicadas. Mas se formos ha apenas 30 km ao sul do Alto Adige, perto de Verona,na região do Veneto, as mesmas uvas de Pinot Nero não se beneficiam do micro clima, assim, o vinho tem sabores e aromas mais intensos, mais amadeirados com uma maior acidez, o que faz mudar completamente o seu aroma.

O Pinot Nero da Vom Blumen, trazido pela Paraju-Vinhos, oferece este diferencial ao paladar dos apreciadores. A sua particularidade consiste na sua cor clara, no nariz e na boca deixa uma fragrância e um sabor que nos faz recordar as pequenas frutas de bosque. Um vinho delicado e com baixa acidez, extremamente prazeroso.

A lista de vinhos italianos que se beneficiam da influência dos micro climas é grande e poderemos falar sobre outros exemplos, mas acho melhor sugerir que vocês os descubram bebendo …

Salute!